Um Chamado à Solidariedade com a África

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Uma Declaração dos Bispos Católicos dos EUA


O documento Um Chamado à Solidariedade com a África foi desenvolvido pelo Comité sobre Política Internacional da "United States Conference of Catholic Bishops (USCCB) (Conferência dos Bispos Católicos dos EUA). Foi aprovado por todo o grupo dos Bispos Católicos dos EUA na sua Reunião Geral, em Novembro de 2001, e autorizado para publicação pelos abaixo assinados.

Msgr. William P. Fay, Secretário-geral, USCCB


Textos da Santa Escritura neste trabalho foram tomados da "New American Bible", direitos autorais © 1991, 1986, e 1970 pela "Confraternity of Christian Doctrine" (Confraternidade de Doutrina Cristã), Washington, D.C. 20017 e são utilizados com o aval do proprietário dos direitos autorais. Todos os direitos são reservados.

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Um Chamado à Solidariedade com a África está disponível em edição impressa e pode ser encomendada pelo telefone (800) 235-8722 (EUA). Solicite o número de publicação 5-464; o custo é de US $2.95 para um único exemplar, mais a remessa e manipulação. A edição impressa também está disponível em francês; solicite o número de publicação 5-867.


Introdução

  1. A Igreja na África: Fonte de Esperança para um Continente em Transição

    1. A Igreja como Servidor

    2. Outros Sinais de Esperança para um Continente que Enfrenta Muitos Desafios

  2. Um Continente que Enfrenta Enormes Desafios

    1. Sinais de Luta

    2. Pobreza, Doença, e o Ónus da Dívida

    3. Conflito e Insegurança no Continente

    4. Refugiados e Pessoas Deslocadas

  3. O Desafio da África para os Estados Unidos da América e para a Comunidade Internacional

    1. Como Lidar com a Pobreza, Dívida, e o Desenvolvimento

    2. Provisão de Assistência Urgente para o Fortalecimento da Atenção à Saúde

    3. Promoção de Desenvolvimento Educacional

    4. Fomento de Relações Comerciais como Parcerias

    5. Apoio à Construção da Paz na África

    6. Assistência aos Refugiados e Pessoas Deslocadas

  4. A Igreja Católica nos Estados Unidos em Solidariedade com a Igreja na África

Conclusão


Introdução

"Queremos dar uma palavra de esperança e alento a vocês, a Família de Deus na África. . Cristo a nossa Esperança está vivo; [Vossas Senhorias] viverão!" Estas palavras do "Message of the Synod " (Mensagem do Sínode), de 1994, dos Bispos Africanos revela a esperança e coragem da Igreja Católica e dos povos da África na sua confrontação de desafios audazes e obstáculos persistentes. Esta mensagem de esperança inspira a Igreja na África de perseverar na sua luta de tornar visível a plenitude da vida prometida a cada ser humano (Jn 10:10). Requer da comunidade internacional -- e da Igreja Católica nos Estados Unidos, em especial -- uma resposta significativa.

A urgência da nossa atenção à igreja e aos povos da África é incentivada por duas convicções conflituosas: a esperança e a preocupação. Escrevemos com esperança, reconhecendo a história, fortaleza, espiritualidade, coragem, e capacidade da igreja e dos povos da África. Escrevemos com profunda preocupação, testemunhando a proliferação do conflito armado, a deterioração na atenção à saúde e nas infra-estruturas educacionais, o enfraquecimento das estruturas social e comunitária, e uma disseminação cada vez maior de doenças e outras ameaças à vida dos nossos irmãos e irmãs africanos. O nosso temor é que as esperanças africanas possam ser destruídas pela indiferença e falta de acção na África e no mundo inteiro. É por essas razões que levantamos a nossa voz e ecoamos a reivindicação feita pela Santa Sé na Cúpula do Milénio, das ONU, de que "a África deve receber atenção especial, e que esforços realizados realmente serão capazes de satisfazer as suas necessidades"1.

Em reposta ao chamado da Igreja da África, como pastores nos Estados Unidos, reconhecemos os vínculos mútuos de solidariedade que nos unem -- vínculos que foram forjados através da vida, morte, e ressurreição de Jesus Cristo. Nos posicionamos em solidariedade com a Igreja e os povos da África, para reconhecer e apoiar seu compromisso corajoso à paz, justiça, e reconciliação. Alentamos a comunidade Católica nos Estados Unidos de contribuir os seus diversos talentos e méritos às causas de justiça, paz, e desenvolvimento integral do continente. Convocamos ao governo dos Estados Unidos de demonstrar liderança responsável e de aumentar o seu envolvimento de trabalhar com nações africanas, para lidar com seus desafios actuais e possibilidades futuras. Ao fazer isto, recordamos as palavras do Santo Padre: "A África não é destinada à morte, mas sim à vida!"2

Este chamado à solidariedade com a África vai muito além do testemunho da Igreja. Mais recentemente, isto se expressou através de uma conscientização aumentada da comunidade mundial, e envolvimento desta, na procura de promover o desenvolvimento e fomentar a paz entre os povos e nações da África. Reuniões e iniciativas recentes são sinais de um compromisso internacional cada vez maior para trabalhar com os países africanos para combater a pobreza, HIV/AIDS, e doenças infecciosas, e para promover a paz, segurança, e o desenvolvimento. Estes esforços não efectuados a longa data precisam ser encorajados e promovidos.
Nosso chamado à solidariedade com a Igreja, nações e povos da África, particularmente nações da África Subsaariana reconhece, e é baseada, nas responsabilidades e oportunidades especiais que temos como Católicos e cidadãos dos Estados Unidos. Como Católicos, seguimos o carácter universal da nossa identidade Cristã, uma identidade que "transcende fronteiras nacionais e nos chama a viver em solidariedade e justiça com os povos do mundo."3 Como americanos, reconhecemos a posição singular dos Estados Unidos como uma das nações mais ricas do mundo, mas o privilégio não pode ser divorciado da responsabilidade. O grito de Lázaro, um mendigo enfermiço para o homem rico, insensível, no evangelho de Lucas (16:19-31) continua a desafiar o nosso senso de responsabilidade. Não podemos satisfazer as nossas obrigações morais aos pobres do mundo permitindo que somente alguns farelos caíam da mesa de abundância material em cima das nações e povos da África Subsaariana. Somos convocados a um compromisso muito maior de recursos e energia.

A nossa fé o requer: A mensagem de salvação de Jesus é universal. Jesus revela a cada pessoa a dignidade do que significa ser verdadeiramente humano. Esta mensagem, proclamada pelo evangelho constitui a base dos princípios do ensino social Católico, desafiando a cada pessoa a respeitar a vida e a dignidade de todos e de perceber as conexões e destino comum de toda a família humana. Em Cristo, descobrimos os vínculos de solidariedade mútua com as nossas irmãs e irmãos na África.

Nossas irmãs e irmãos estão pedindo nossa ajuda: Enquanto atestamos sofrimento intenso e ouvimos os gritos para ajuda, reconhecemos a união de uma fé compartilhada e uma humanidade comum com os povos da África, especialmente os pobres. Nosso Papa João Paulo II e a Igreja na África nos chamam à solidariedade e procuram a nossa assistência. Como membros da Igreja universal, "'precisamos continuar o exercício o papel profético [da Igreja] e ser a voz dos mudos", para que a dignidade humana de cada indivíduo seja reconhecida em todo lugar, e para que o povo sempre esteja no centro de todos os programas governamentais".4 Precisamos responder a este chamado.

Nosso mundo requer este esforço: A imensidade da pobreza, violência, doenças e desespero, particularmente na África Subsaariana, ameaça a estabilidade e segurança da comunidade internacional. Distintos povos precisam reconhecer interesses em comum, valores, e obrigações apesar de distâncias e diferenças. A promoção deste bem comum internacional ajudará a todos os povos de viver com segurança e paz.


Os Estados Unidos têm responsabilidades especiais: A história, riqueza, poder económico e político e o papel de liderança da nossa nação no mundo requer que aceitemos uma responsabilidade inevitável para ajudar os povos da África viver em paz e com dignidade. Desde os dias iniciais da nossa nação, pessoas de antecedência Africana contribuíram tanto, com papéis principais na defesa da democracia, e no desenvolvimento social, cultural, económico, e espiritual dos Estados Unidos. Reconhecemos também o triste fato de que a péssima instituição da escravidão jogou um papel significativo no desenvolvimento do nosso país. Cidadãos de antecedência Africana continuam a jogar um papel integral na definição da identidade americana e na promoção do bem comum. É por estas razões que os Estados Unidos têm um claro dever moral de adoptar políticas e apoiar programas que encorajam o desenvolvimento humano integral e crescimento económico em longo prazo para os países mais pobres, com atenção particular à África Subsaariana. Isto não é somente uma opção política; é uma obrigação moral.

Podemos fazer uma diferença: Na África, actualmente, vidas estão sendo perdidas a uma taxa alarmante. O continente enfrenta desafios sérios, que frequentemente enfraquecem a resolução das pessoas comprometidas em buscar a justiça, paz, e desenvolvimento integral. Nossa voz pode se juntar a outras, para encorajar uma disposição sustentável, justa, e integral dos vastos recursos mundiais para gerar soluções duradouras que respeitam a plena dignidade humana dos nossos irmãos e irmãs nos países mais pobres da África.
No nosso desempenho de responder, de maneira concreta a este chamado de solidariedade com a Igreja e povos da África, reconhecemos "que a África é um continente enorme onde se encontram diversas situações. . . É necessário evitar generalizações, tanto na avaliação de problemas, quanto na sugestão de soluções". 5 Nossa tarefa não é de reduzir as situações difíceis e histórias complexas de povos, regiões, e nações na procura de soluções simples. Nem pretendemos falar em nome da África, em nome dos povos e nações da África, ou em nome da Igreja Católica na África. Pelo contrário, nos posicionamos com a Igreja na África; procuramos chamar atenção aos problemas e potenciais da África; queremos amplificar as vozes dos africanos, para que possam ser ouvidas por um mundo às vezes distraído.

I. A Igreja na África: Fonte de Esperança para um Continente em Transição

A Igreja na África é caracterizada por raízes históricas profundas, pelo crescimento dinâmico, pela espiritualidade vibrante, e pela criatividade. Desde o meio do primeiro século a. d., a Igreja perseguiu activamente sua missão através das comunidades Cristãs prosperando no Egipto, na Núbia (Egipto do sul e Sudão do norte), na Etiópia, e em outra parte da África norte e no Chifre da África. [ Veja a tabela 1: O desenvolvimento da Igreja na África. ] Os Papas africanos, teólogos, os ascéticos espirituais, e os cristãos leigos cometidos da contribuíram à compreensão, em evolução, da Igreja teológica e da sua natureza missionária, e a sua efervescência espiritual, uma presença que continua até hoje. A seguir, sendo que a Igreja aprofundou suas raízes no meio de grande tumulto, missionários Católicos africanos, respondendo ao mandato de Cristo para pregar a e ensinar todos os povos, carregaram a mensagem da esperança Cristã para todo o continente. Estas testemunhas dedicadas importaram-se com povos em todas as dimensões de suas vidas: espiritual, físico, e social. Introduziram sistemas de educação e de atenção à saúde que continuam a servir às necessidades de milhões em todo o continente. E compartilharam com o mundo os valores e as introspecções que ganharam da comunhão profunda com a Igreja e dos seus membros na África.

Hoje, a Igreja Católica e outras comunidades Cristãs eclesiásticas, na África, são as que crescem mais rapidamente no mundo. Entre as mais de 800 milhão de pessoas que vivem nos cinquenta e quatro países da África, mais de 350 milhões são cristãos e mais de 116 milhões são Católicos. 6Os Católicos africanos compõem quase 15 por cento da população inteira da África. A Igreja Católica é uma comunidade vibrante, dinâmica, de fé, que fornece renovação espiritual e social em todo o continente, e dentro da nossa comunidade universal de fé.


A. A Igreja como Servidor
Na África, as instituições não-governamentais mais viáveis que fornecem serviços sociais--incluindo escolas, hospitais, clínicas, e cooperativas agrícolas--são aquelas operadas pela Igreja Católica e outros grupos Cristãos. Quase 17 por cento de todos os sistemas de saúde na África Subsaariana são sacerdócios da Igreja Católica. Nas áreas de conflito intenso, tais como no Sudão, Congo oriental, e Serra Leoa, a Igreja continua a servir às necessidades dos povos com grande coragem quando os governos e outras organizações políticas falham.

Além de servir às necessidades sociais de muitos africanos, a Igreja na África está continuando a defender a vida e a dignidade humana e trabalhando em prol da justiça e paz sob condições difíceis. Considere os seguintes exemplos:

  • No sul do Sudão, as Igrejas Católicas e Cristãs estão defendendo os direitos humanos estão juntando as facções guerreiras para reconciliar as diferenças existentes há muito tempo, e para construir umas pontes mais eficazes para comunicação e cooperação mútua; enquanto isso, no Sudão do norte, a Igreja fornece serviços de saúde e de educação a algo mais de 2 milhões de pessoas deslocadas que não recebem nenhum auxílio do seu governo.

  • Na África do Sul, a comunidade Católica se uniu a muitas outras em opor-se ao "apartheid" e hoje está ajudando em promover a cura e reconciliação enquanto serve as necessidades básicas de muitos sul-africanos. Com o apoio de "Catholic Relief Services", a Igreja na África do Sul está perseguindo novas estratégias para enfrentar, com maior eficácia a pandemia da HIV/AIDS, que aflige quase 25 por cento da população adulta. Estas estratégias incluem atenção baseada na comunidade, formação moral, educação e promoção pública, assim como o fomento de maior acesso a medicamentos essenciais para o tratamento da malária, tuberculose, e HIV/AIDS.

  • Na África ocidental e central, a Igreja é um actor principal, trabalhando com outros, para ajudar a reformar estruturas políticas e reabilitar instituições nacionais. Dois exemplos são encontrados em Benim e na República Democrática do Congo (anteriormente Zaire) onde nos inícios de 1990, a Igreja, através de seus Bispos, activamente facilitou e dirigiu os processos de reconciliação nacional, reivindicando maior respeito para a democracia, direitos humanos, e governo responsável e transparente.

  • Na Nigéria, a voz da Igreja, junto com líderes do outras Igrejas Cristãs e a comunidade Muçulmana, serve como um instrumento eficaz na convocação para o diálogo inter-religioso, inter-étnico, e inter-regional substantivo no meio de enorme turbulência política, social, e económica. A Igreja, em todo continente, deve ser apoiada no desempenho de promover o diálogo ecuménico e inter-religioso, a liberdade religiosa, e o respeito mútuo.

  • No Quénia, a Igreja e outros grupos religiosos estão na vanguarda de esforços para reformar a constituição, defender os direitos humanos, e desenraizar a corrupção.

Estas e outras actividades da Igreja na África são sinais de uma procura da comunidade, nas palavras do Papa João Paulo II, de se posicionar "de maneira resoluta do lado dos oprimidos e dos povos sem voz e marginalizados". 7

Por sua vez, os Católicos africanos também contribuem, de maneira significativa, à vida da Igreja nos Estados Unidos. Padres africanos e mulheres e homens religiosos, que foram delegados a trabalhar ou estudar nos Estados Unidos fornecem um serviço importante à Igreja. Os leigos africanos se unem a nós para celebrar a vida, morte, e ressurreição de Santo Jesus, e para fazer as suas contribuições especiais a paróquias, dioceses, e outras entidades da Igreja. Sua experiência e sabedoria podem ajudar a fornecer direcção e impulso aos nossos esforços de pregar o Evangelho e promover a justiça, paz, direitos humanos e o pleno desenvolvimento humano na África.

B. Outros Sinais de Esperança para um Continente que Enfrenta Muitos Desafios

As próprias nações africanas dão testemunho aos processos da mudança e da revitalização. A África do Sul, no seu esforço surpreendentemente não-violento para superar o "apartheid", ensina a outros países o poder de rezar, da verdade, e da reconciliação. O processo eleitoral bem sucedido recente de Gana é um exemplo para nações mais poderosas ou com uma tradição mais longa de democracia. A perseguição activa de Moçambique para um programa de reconstrução e desenvolvimento fornece esperança renovada e novas oportunidades ao seu povo. Os líderes de cinco nações africanas apresentaram uma iniciativa aos governos comprometendo os governos da África, à Cúpula dos G-8 (Génova, Julho de 2001) à erradicação da pobreza, a um governo mais transparente, à regra da lei, ao fim dos conflitos tribais, e à promoção do crescimento e do desenvolvimento sustentável. A iniciativa convida também a comunidade internacional a aprofundar seu compromisso ao investimento económico, à assistência técnica, e a uma integração mais harmoniosa e mais justa da África na economia mundial para promover o desenvolvimento das nações africanas. A iniciativa foi bem recebida pelos líderes G-8 e estes concordaram a uma nova parceria. Estes exemplos demonstram a fortaleza e coragem dos povos e nações da África e tornam possível que estes estabeleçam soluções efectivas para seus problemas. A África não é um Continente desesperado; pelo contrário, é um lugar onde as pessoas estão lutando para ultrapassar problemas passados e desafios actuais para construir um futuro de esperança e oportunidade.

A comunidade mundial deve muito aos povos da África. A África sempre serviu as outras nações como fonte de ricos recursos humanos e materiais. Quase 15 por cento das importações de petróleo dos EUA e alta percentagem de diamantes, ouro, madeira nobre, e muitos outros materiais são provenientes do continente africano. Hoje, os especialistas médicos, os educadores, e outros profissionais treinados da África estão contribuindo ao crescimento do conhecimento humano. Os médicos e pesquisadores africanos são sócios principais na busca para remédios novos e mais eficazes para combater as doenças mais mortais e exasperadas. Os músicos e artistas africanos estão criando expressões artísticas novas que aprofundam e ampliam o carácter estético dos povos e das nações em todo o mundo; ainda outros se destacam em muitas competições atléticas em torno do mundo.

II. Um Continente que Enfrente Enormes Desafios

A Sinais de Luta
A esperança Cristã não deve ser confundida com optimismo ingénuo. Embora reconhecemos as contribuições significativas feitas pelos povos africanos -- seu grande potencial humano e ricos recursos naturais -- estamos conscientes também das muitas forças destrutivas que roubaram, e continuam a ameaçar, o desenvolvimento integral dos povos e nações da África. A escravidão, um sistema essencialmente vil e desprezível, roubou o continente africano da maioria dos seus recursos mais preciosos: homens, mulheres, e crianças. Milhares de pessoas foram desenraizadas das suas famílias e comunidades, à força, para países e terras tão alienadores e desumanos que meras palavras não podem explicar a profundidade do seu sofrimento. Nosso próprio país, assim como o resto das Américas, ainda vive os efeitos deste mal. Nosso próprio povo ainda carrega as cicatrizes da escravidão e vive a sua história -- uma história que ainda não foi reconhecida plenamente ou inteiramente reconciliada. A própria responsabilidade da América de superar esta herança de escravidão e racismo deve ser reflectida nos nossos programas e políticas nacionais e internacionais. Além disso, grandes esforços devem ser realizados pelas nações africanas e pela comunidade internacional para eliminar a prática contínua da escravidão em países como o Sudão e a Mauritânia.

A herança do passado colonial da África contribuiu ao conflito, à desordem, e animosidade entre os muitos grupos étnicos na África Subsaariana. Conflito e instabilidade no Sudão, Ruanda, Burundi, República Democrática do Congo, e em outros locais podem ser remontados a programas coloniais de alienação, discriminação, exclusão social, e manipulação da identidade étnica, com o fim de assegurar a dominação e controle de enormes áreas geográficas e formidáveis recursos humanos e materiais. Na África pós-colonial, políticos e líderes militares frequentemente utilizaram estes mesmos métodos para arrear recursos para os seus próprios fins intolerantes. Durante estes períodos, a Igreja na África tem lutado para tornar mais evidente, no seu testemunho da fé, a justiça que ousa proclamar a outros.8

Corrupção e desgoverno devassam os recursos dos povos africanos, diminuindo assim a sua capacidade de lidar com necessidades humanas. Conforme declarado pelos Bispos dos Camarões no ano passado, "a corrupção chegou a um nível suicida na nossa sociedade. É aceita como parte normal da vida, tanto que aqueles responsáveis pela corrupção já não se sentem nem minimamente culpados". 9 Factores sociais e culturais na África contribuem a esta situação. Infelizmente, algumas das práticas das instituições multilaterais de empréstimos e programas bilaterais de assistência humanitária não concentraram, adequadamente, na erradicação da pobreza, mas, inadvertidamente, contribuíram a aprofundar a corrupção. Estas mesmas instituições e programas as vezes ficaram cegas à corrupção e ao desgoverno na República Democrática do Congo, Libéria, Quénia, Camarões, e em outros países, em nome da democracia e do desenvolvimento. Independentemente da fonte, os frutos da corrupção e do desgoverno são bebés desnutridos, crianças analfabetas, e as massas desempregadas.
Em vários países da África Subsaariana, a questão da reforma agrária tornou necessário um exame sério dos arranjos agrários coloniais e programas de reforma pós-coloniais, que foram baseados em expropriação injusta, e que perpetuaram e intensificaram a pobreza e o subdesenvolvimento. A Conferência de Bispos Sul-africanos reconhece que "uma proporção devastadora das terras produtivas na África do Sul permanece nas mãos da minoria que a obteve historicamente através de meios injustos". 10 Zimbabué é um exemplo notório de onde a violência, instabilidade, suspensão da regra da lei, e corrupção frustraram as tentativas, por governos africanos, de lidar com a reforma agrária.11 A comunidade internacional deve apoiar e encorajar reforma agrária justa e equitativa, executada por governos africanos, como parte de uma estratégia mais ampla para erradicar a pobreza. Desta maneira, o "destino universal dos bens da terra" poderá ser atingido.12

B. Pobreza, Doença, e o Ónus da Dívida
A destituição e privação de tantos africanos requerem uma resposta mais urgente da comunidade internacional, incluindo do nosso país. Centenas de milhões estão perdendo a vida e são negados os elementos mais básicos da dignidade humana. Quase 300 milhões de africanos -- um número aproximadamente igual à população dos Estados Unidos -- vivem em pobreza extrema, sobrevivendo com menos de um dólar por dia. A maioria não tem acesso aos serviços de saúde ou água potável. A malária, tuberculose, HIV/AIDS, e outras doenças transmissíveis ameaçam acabar com até um quarto das populações de alguns países africanos nos próximos vinte anos. [Veja o livro de texto 2: "World Health Organization statistics on communicable diseases and their impact on sub-Saharan Africa".] (Estatísticas da Organização Mundial da Saúde sobre doenças transmissíveis e seu impacto na África Subsaariana). Como consequência desta devastação da população em geral, existem menos professores, fazendeiros, profissionais da saúde, e outros trabalhadores.
As crianças são um dos grupos mais afectados pela pobreza. Muitas morrem de fome ou falta de atenção à saúde adequada. Milhões são confrontados com o analfabetismo, curta expectativa de vida, e falta de apoio familiar. Outros são recrutados, forçosamente, para o serviço militar ou encarcerados pela milícia rebelde. O número de órfãos, crianças de rua, e lares com crianças como donos está nas centenas de milhões, enquanto os pais se tornam vítimas de doenças ou conflitos. As mulheres africanas também carregam um ónus desproporcional de pobreza, falta de atenção à saúde, e pouca possibilidade de se envolver politicamente. O resultado é um ciclo vicioso repetitivo de pobreza, morte, queda de sistemas de apoio familiar ou outros tradicionais, perda da identidade social, e privação.
Muitos países africanos sub-saarianos também lutam com um grande peso de obrigações de repagamento de dívidas. Mesmo com maior alívio internacional das dívidas, reivindicado fortemente pela nossa Conferência de bispos, na declaração de 1999, "A Jubilee Call for Debt Forgiveness", (Um Chamado Jubileu para o Perdão das Dívidas) vários países na África Subsaariana continuam a pagar serviços de dívidas que, na média, chegam a um quarto da receita pública, deslocando assim recursos já limitados dos serviços vitais de provisão de saúde, educação, e outros esforços para eliminar a pobreza. Em uma era de globalização, a África está rapidamente a caminho de se tornar a principal área de pobreza no mundo.13 Considerando a crise cada vez mais profunda, a resposta global actual continua inadequada e indefensável.

C. Conflito e Insegurança no Continente
Embora a maioria da África esteja em paz, alguns dos conflitos mais mortais do mundo continuam a devassar o continente. A guerra quase genocida no Sudão, que devora o país por mais de dezoito anos e é impulsada por uma campanha sistemática de "Islamização" e de "Arabização", resultou em 2 milhões de mortos e o dobro de deslocados. O mundo não pode ignorar este abuso horrível do poder executado pelo governo sudanês. A guerra na República Democrática do Congo resultou em 3 milhões de mortes somente nos três anos passados. Inúmeras amputações dos braços e dos pés em Serra Leoa, a despovoação de grandes áreas em Angola, e luta feroz em Burundi ilustram ainda mais uma história de morte e de destruição que obstruiu os esforços de promover a erradicação da pobreza e desenvolvimento em longo prazo.
O conflito na África tem muitas formas. Uma forma particularmente aflitiva envolve a manipulação da identidade cultural e religiosa para ganhar e consolidar o controle político, económico, e social. Situações no sul do Sudão, em Burundi, e na Ruanda do sul são testemunhas das maneiras pelas quais a identidade étnica e cultural pode ser utilizada para cultivar uma cultura de suspeita e de ódio profundo entre os diferentes grupos étnicos, que podem conduzir ao genocídio. Na Ruanda, em 1994, mais do que meio milhão (cerca de 8 por cento da população) foi massacrado em um período de somente três meses. Para Cristãos, é especialmente doloroso que as diferenças étnicas em Ruanda, como em outra parte, racharam a unidade e o amor confiado por Cristo à sua Igreja. A Igreja e os povos de Ruanda, e outros países dilacerados por conflitos inter-comunais, necessitam nossas preces e apoio contínuo, enquanto se empenham em superar uma herança de ódio étnico e reconstroem, sociedades multi-étnicas justas e estáveis.

O uso da identidade religiosa - por exemplo, jogar os Muçulmanos contra os Cristãos e Cristãos contra Muçulmanos - representa um desenvolvimento particularmente perturbador. A negação sistemática do governo sudanês da liberdade religiosa, os abusos dos direitos humanos, bombardeamento da população civil, e a escravidão das mulheres e crianças demonstram como a identidade religiosa e cultural pode ser manipulada para servir a fins políticos e económicos. Esta perversão da religião para fins políticos envenena áreas da África e priva muitos africanos das suas vidas e direitos humanos. [Veja a tabela 3: história de uma Igreja no Sudão.]

A riqueza da África e seus recursos naturais - que devem ser uma fonte tão rica das bênçãos - tem-se transformado, às vezes, em uma fonte de tremendo sofrimento. O relacionamento entre recursos naturais e conflito na África está tornando-se mais claro. Dois recursos naturais, diamantes e petróleo, são de preocupação especial. Em Serra Leoa, Angola, e na República Democrática do Congo, conflitos sobre diamantes produziram sofrimento intenso do ser humano e instabilidade política. A exploração de petróleo e o desenvolvimento na embocadura do Níger foram associados com o empobrecimento económico mais agudo, a diferenciação política, e os desastres ecológicos para os povos e a região. Do mesmo modo, no sul do Sudão, a exploração de petróleo levou ao deslocamento forçoso de um grande número de povos e está abastecendo a guerra cruel do governo contra o sul. O petróleo também movimentou a guerra civil, de uma década, em Angola. Em cada um destes países, empresas estrangeiras - americanas, europeias, asiáticas, e outras - levantam grandes lucros de diamantes e petróleo, ao demonstrar, frequentemente demais, pouco interesse para o impacto negativo que suas actividades podem causar na paz, estabilidade, direitos humanos, e ao ambiente. Como a parte desta troca por recursos naturais, os indivíduos, as empresas multinacionais, e os governos estrangeiros forneceram armas aos governos africanos e às entidades não-governamentais resultando em ainda maior instabilidade e sofrimento humano mais profundo.

É muito fácil demais dispensar estas guerras como os conflitos étnicos intratáveis, não susceptíveis à influência externa ou como tendo pouco interesse estratégico aos Estados Unidos e à comunidade internacional. A responsabilidade principal para resolver estes conflitos encontra-se claramente com os líderes políticos e militares destes países. Mas os Estados Unidos e a comunidade internacional não podem ignorar sua própria responsabilidade de ajudar a resolver estes conflitos. Infelizmente, a raça e a proximidade geográfica, assim como factores económicos e políticos, podem formar, de maneira desproporcional, a nossa política externa. Enquanto que o genocídio dos Balcãs atrai uma resposta séria de Estados Unidos, o genocídio na Ruanda não chamou atenção. O conflito na Irlanda do norte comanda atenção significativa nos EUA, mas não a guerra e a perseguição no Sudão. Esperamos que estes exemplos trágicos resultem em novo interesse e participação.

D. Refugiados e pessoas deslocadas
Um subproduto perturbador das actuais guerras civis e da inquietação política na África é o grande número de refugiados e pessoas internamente deslocadas que habitam a paisagem da África. A África hospeda mais de 3,5 milhões de refugiados - quase 30 por cento do total do mundo - e aproximadamente 50 por cento das 25 milhões pessoas internamente deslocadas do mundo. Principalmente por causa dos longos conflitos no Chifre da África (Sudão, Somália, Etiópia, Eritreia), a região dos Grandes Lagos (República Democrática do Congo, de Ruanda, Burundi, Uganda), e África ocidental (Serra Leoa, Libéria, Guiné), milhões dos refugiados fugiram da instabilidade nos seus respectivos países, somente para enfrentar uma existência ainda mais instável e escassa nos campos de refugiados inseguros. Muitos destes acampamentos são sujeitos à violência, às faltas de alimentos, e à água potável e ao saneamento insuficientes. Devido à falta de recursos e vontade política da comunidade internacional, muitos refugiados, para quem a re-localização é a única solução duradoura, elanguescem em campos por anos.

As pessoas internamente deslocadas, aquelas que são forçadas a fugir de suas casas, mas não cruzam uma fronteira internacional, encontram-se, frequentemente, em situações ainda mais desesperadas. Sendo que as pessoas internamente deslocadas não recebem protecção legal internacional, e nenhuma agência internacional é encarregada com seu cuidado, frequentemente faltam necessidades básicas para sobreviver e não são oferecidas oportunidade para o asilo ou re-localização em outro país. Enfrentam um perigo ainda mais grave porque permanecem em locais perigosos, continuando a ser vítimas de guerras internas ou de abusos contínuos dos direitos humanos por seu governo ou outros partidos a um conflito. Por exemplo, a guerra civil de 18 anos no Sudão produziu mais de 4 milhão pessoas internamente deslocadas - o maior número de qualquer país no mundo - que vive em condições desumanas e permanece vulnerável aos bombardeios aéreos e ao deslocamento forçado por milícias armadas.

O mundo já não pode mais ignorar o apuro dos refugiados e das pessoas internamente deslocadas na África. Muitos países da África deram boas-vindas aos refugiados, que procuraram protecção nas suas terras, oferecendo-lhes a segurança e sustentação que podiam. Este não é nenhum substituto, entretanto, para um compromisso de liderança e recurso mais forte dos EUA e da comunidade internacional para proteger os refugiados africanos e pessoas internamente deslocadas.

III. O Desafio da África para os Estados Unidos e para a Comunidade Internacional

A política externa americana para África mudou durante o final da guerra-fria. Durante grande parte da era pós-colonial, a África era demasiado frequentemente uma arena de conflito por procuração dos Estados Unidos e da antiga União Soviética. As guerras, os regimes ditatoriais e corruptos, os abusos dos direitos humanos, e o subdesenvolvimento estão entre os factores históricos da guerra-fria. Hoje existe menos intervenção externa, mas mais negligência e indiferença. Enquanto a racionalidade estratégica para intervenção diminuiu com o fim da guerra-fria, os imperativos éticos para o envolvimento com a África permanecem mais fortes do que nunca. Os Estados Unidos não devem ignorar a África como tendo pouca relevância para nossas prioridades estratégicas, mas, pelo contrário, devem embarcar em uma visão mais ampla do nosso interesse em, e obrigação ao continente mais pobre do mundo. Nosso país deve fornecer maior assistência para o desenvolvimento para os países mais necessitados da África Subsaariana, incluindo assistência para os sistemas de saúde tão debilitados da África. Os Estados Unidos deve também buscar e desenvolver relacionamentos comerciais que constituem uma força motriz para a eliminação da pobreza, e devem desempenhar um papel mais central na promoção da paz em toda África.

A. Como Lidar com a Pobreza, Dívida, e Desenvolvimento
Como parte de uma abordagem integral para assegurar um relacionamento mais justo com África, níveis significativamente mais elevados de assistência para o desenvolvimento são necessários para lidar com os grandes desafios que os povos e as nações da África enfrentam. É um escândalo a falta do nosso país de atenção séria às necessidades na África. Ao contrário da opinião popular, o compromisso dos Estados Unidos à assistência ao desenvolvimento é situado como a percentagem mais baixa do produto interno bruto (PIB) entre as nações desenvolvidas.

O esforço dos EUA na África Subsaariana está muito aquém de uma contribuição responsável, considerando a natureza séria dos problemas e o papel de liderança dos EUA no mundo. Nosso país contribui menos a esta região, como percentagem do seu orçamento total de assistência, do que qualquer outro país doador. Os Bispos Católicos dos EUA reivindicaram um acréscimo de US $1 bilhão dedicado à redução da pobreza na África Subsaariana, o que levaria a assistência dos EUA, como percentagem do seu orçamento de assistência para África Subsaariana, justo acima dos 30% de doadores mais baixos.14 [Veja a tabela 5: quadro ilustrando a posição dos Estados Unidos entre as nações desenvolvidas, em percentagem do PIB dedicada à assistência externa.]

Mais dinheiro é necessário, mas somente o dinheiro não é suficiente. Os recursos podem ainda ser desviados da tarefa urgente de eliminação da pobreza através da corrupção, conflitos regionais, governos opressivos ou fracos, e gerência económica ineficiente. A paz, estabilidade, e governo eficiente são necessários para a erradicação da pobreza e requerem atenção urgente dos países doadores, assim como dos próprios países africanos. A campanha para erradicação da pobreza precisa ser por africanos e para africanos, colocando os interesses do povo em primeiro lugar. A sociedade civil deve ter um papel cada vez maior na monitoria do governo eficiente e na formação de uma compreensão mais profunda do bem comum.
Os Estados Unidos, em particular, precisam reorientar as suas políticas de assistência externa para fazer um compromisso maior e mais específico à erradicação da pobreza global, com a prioridade de atenção fornecida à África Subsaariana. Ainda, os investimentos dos Estados Unidos na erradicação da pobreza, nas regiões mais pobres da África devem reflectir os nossos valores e esperanças como um povo. Muitos programas humanitários actuais colocam atenção excessiva no controle populacional moralmente censurável. Conforme o Papa Paulo VI, "as pessoas certamente são seduzidas a agir de maneira autoritária para reduzir o número de convidados a uma mesa em vez de aumentar o suprimento de alimentos nela". 15 O compromisso, por sua vez, à solidariedade humana nos possibilita tornar o mundo um lugar de boas vindas para todos, especialmente os mais pobres dos pobres.

Os Estados Unidos e a comunidade internacional devem também continuar e intensificar seus compromissos para aliviar a dívida dos países mais pobres, a maioria dos quais se encontram na África. Como mínimo essencial, os países devem agir para reduzir a obrigação do serviço da dívida externa a um máximo de 10 por cento da receita pública para todos os mutuários sob a iniciativa "Heavily Indebted Poor Countries (HIPC)."16 (Países Pobres Altamente Endividados). Este alívio seria fornecido além de, e não em substituição, o investimento substancialmente aumentado de assistência ao desenvolvimento e programas de saúde, discutidos anteriormente. O alívio da dívida não pode ser considerado isoladamente, é somente será bem sucedido nos seus objectivos esperados se fizer parte de uma abordagem mais ampla da erradicação da pobreza nos países mais vulneráveis do mundo.17

B. Provisão de Assistência Urgente para Fortalecer a Atenção à Saúde
A situação catastrófica de atenção à saúde na África apresenta um desafio especial de desenvolvimento. Além de fundos adicionais para pesquisa e provisão de medicamentos essenciais para a prevenção e tratamento de malária, tuberculose, e outras doenças transmissíveis, pelo menos US$4 biliões a $5 biliões são necessários para começar a lidar seriamente com a pandemia do HIV/AIDS. [Veja a tabela 6: citação do Papa João Paulo II sobre o "drama da AIDS" e estatísticas básicas para HIV/AIDS na África Subsaariana.] O compromisso de recursos adicionais para combater a HIV/AIDS pelos países membros do G-8 e da União Europeia, em Génova, em Julho de 2001 é bem-vindo, mas as quantias propostas são seriamente deficientes. Os fundos devem ser utilizados para uma estratégia bem definida de prevenção e tratamento apropriado, voltado às causas mais profundas desta pandemia. Ao invés, algumas abordagens actuais e propostas à prevenção do HIV/AIDS deixam de respeitar sensibilidades religiosas e culturais na África e são inconsistentes com os princípios morais Católicos. Rogamos por maiores fundos para medicamentos e tratamento, pesquisa, sistemas básicos de provisão de serviços de saúde, e atenção àqueles que vivem com HIV/AIDS, assim como programas educacionais apropriados que fornecem informação correcta sobre a transmissão da doença e promovem comportamento sexual responsável. Rogamos também à comunidade internacional -- e as principais companhias farmacêuticas -- de responder com maior eficácia às necessidades dos pacientes com AIDS em países pobres, "para que estes homens e mulheres, testados em corpo e alma, possam ter acesso aos medicamentos que precisam". 18

C. Promoção do Desenvolvimento Educacional
A juventude da África é demonstrada não somente pelas tabelas estatísticas, mas pode ser vista nas ruas, nos mercados, e nas Igrejas de qualquer cidade ou vila africana. A juventude fornece esperança e um senso de renovação perpétua no meio de sérios desafios. Pode, no entanto, se tornar uma fonte de grande instabilidade e maior decadência de uma sociedade se recursos e oportunidades adequadas não são providenciados àqueles destinados a ajudar na construção da sociedade humana.

O governo dos EUA e a comunidade internacional reconhecem a importância de fortalecer a educação na África. O conflito, doença, e outros factores estão esgotando as categorias de professores dedicados e qualificados. As crianças são forçadas a abandonar os estudos e a assumir papéis de adultos, incluindo o papel de pais e soldados. A educação tem um papel essencial na formação da consciência moral, participação responsável nos processos democráticos, sabedoria profissional e técnica, promoção do bem comum, e desenvolvimento de uma compreensão holística da sexualidade humana e relacionamentos. A Igreja nos Estados Unidos e o governo dos EUA devem apoiar, energeticamente, os esforços da Igreja e outros grupos na sociedade civil, assim como os governos da África, em promover acesso universal à educação com qualidade, para que as esperanças e oportunidades da juventude africana possam ser realizadas.

D. Fomento de Relacionamentos Comerciais como Parcerias
Um sistema comercial justo -- além de romper as barreiras para promover o crescimento -- devem enaltecer a vida e a dignidade de todos, reduzir a injustiça económica, e ajudar a erradicar a pobreza. Os relacionamentos comerciais entre os Estados Unidos e países desenvolvidos ou em desenvolvimento precisam considerar a promoção dos direitos humanos e desenvolvimento sustentável. A medida moral do relacionamento comercial dos Estados Unidos com a África é se este ajuda a reduzir a pobreza entre os povos africanos mais pobres.
A política comercial dos EUA deve concentrar em abrir os mercados dos EUA a bens africanos e ajudar a reduzir a dívida internacional da África. Os mercados europeus precisam abrir seu comércio agrícola e suas indústrias a países africanos assim como emendar suas tarifas agrícolas excessivamente altas. Padrões trabalhistas, ambientais e de direitos humanos são necessários para satisfazer os requerimentos de justiça social. A negociação e implementação de acordos comerciais, incluindo os que envolvem direitos de propriedade intelectual, e patentes fitológicos (plantas, sementes), devem ser realizados em consulta com os governos africanos e a sociedade civil para proteger os direitos e a dignidade de todas as partes. Assim, os relacionamentos comerciais dos EUA com países africanos podem ajudar a promover condições mais equitativas de câmbio, maior desenvolvimento, e uma participação política e económica mais ampla dentro das sociedades africanas, fortalecendo assim a auto-confiança africana.

E. Apoio à Construção da Paz na África

Os Estados Unidos, empresas multinacionais, e a comunidade internacional podem jogar um papel mais construtivo na construção da paz na África de várias maneiras.

  • Os Estados Unidos devem jogar um papel mais central na busca para uma paz justa e durável no Sudão, República Democrática do Congo, Angola, Serra Leoa, e em outras partes da África. Ajudar a resolver estes conflitos em termos justos deve ser uma prioridade principal para a política externa dos EUA. Apoio financeiro e outro suporte são necessários para fortalecer o empenho à reconciliação entre os povos na África Subsaariana.

  • Os Estados Unidos devem fornecer apoio financeiro, logístico, e político muito mais robusto, para os esforços de construção da paz, pela ONU e regiões da África. Devemos aprender da tragédia em Ruanda - onde nosso governo e outros recusaram apoiar a força internacional relativamente pequena, o que muitos peritos acreditam podia ter impedido o genocídio.

  • Os Estados Unidos devem apoiar controles internacionais sobre transferências de armas, particularmente no que diz respeito às pequenas armas que continuam a incentivar, expandir, e prolongar o conflito na África. Maior liderança pelos Estados Unidos na questão das vendas de pequenas armas e armas leves poderia ajudar a limitar este comércio perigoso.

  • Os Estados Unidos devem assinar o Tratado de Interdição de Minas, de 1997. A liderança dos EUA em parar a exportação de minas terrestres e sua contribuição ao programa de remoção de minas é seriamente comprometido pela sua falha de endossar este esforço global para interditas as minas terrestres.

  • Governos, instituições financeiras internacionais, e empresas privadas envolvidas na exploração, desenvolvimento, produção, e vendas de recursos naturais (p. ex., petróleo, diamantes, madeira, minerais, e pedras preciosas) todos têm uma responsabilidade moral de assegurar que o desenvolvimento de outra maneira legítimo destes recursos, não contribui, directa ou indirectamente, à corrupção, conflito, e repressão. Empresas transnacionais devem adoptar códigos de conduta que reforçam suas responsabilidades sociais, dirigem suas actividades para o bom comum, e adoptam a transparência em operações e na prestação de contas financeiras.19 Em determinados casos, pode ser necessário que autoridades internacionais penalizem companhias abusivas. Estas são maneiras concretas para proteger e promover os direitos, a dignidade, e o desenvolvimento social dos povos e das nações africanas.

F. Assistência aos Refugiados e Pessoas Deslocadas
Embora o número de refugiados africanos admitidos aos EUA aumentou, de maneira substancial, nos últimos anos, os refugiados africanos continuam a representar uma percentagem baixa do total de admissões de refugiados nos EUA.

  • As admissões de africanos devem aumentar em níveis proporcionais à gravidade e magnitude da crise de refugiados. Os Estados Unidos devem, também, aumentar significativamente sua assistência internacional aos refugiados africanos.

  • Os Estados Unidos devem assumir um papel de liderança para assegurar que as pessoas deslocadas internamente recebam ajuda internacional adequada e que governos envolvidos em conflito armado não usam esta população deslocada internamente como alvo.

IV. A Igreja Católica nos Estados Unidos em Solidariedade com a Igreja na África

Em anos recentes, nossa Conferência se envolveu cada vez mais em questões vitais à Igreja e aos povos na África. Nos posicionamos em solidariedade com a Igreja na África do Sul no seu testemunho contra o "apartheid" e na sua luta corajosa de superar o mal através de abordagens não-violentas. Nos posicionamos com os Bispos e a Igreja no Sudão na sua busca da paz, liberdade religiosa, e um fim do sequestro e escravização, assim como na sua convocação a companhias petrolíferas e governos envolvidos no desenvolvimento de petróleo para ajudar a promover a paz, transparência, e a compartilha equitativa do lucro das suas actividades. As recentes visitas à região pela nossa Conferência reforçam, ainda mais, os nossos vínculos de solidariedade mútua. É desta maneira e de outras, que a Igreja Católica dos Estados Unidos está tentando responder às necessidades da Igreja e dos povos na África.

Catholic Relief Services (CRS) continua seu trabalho na África, um trabalho iniciado há meio século. CRS agora apoia programas em trinta e seis países subsaarianos, com um compromisso anual total de US$140 milhões. CRS trabalha com parceiros locais da Igreja e outros, em áreas como saúde, agricultura, educação, micro-finanças, a crise da HIV/AIDS, reconciliação, e construção da paz. CRS também está profundamente envolvido na nossa Campanha Católica para o Alívio da Dívida, eliminação da pobreza, promoção de maior acesso a medicamentos essenciais e drogas vitais para a luta contra HIV/AIDS, e a promoção de investimentos responsáveis. Os Católicos dos EUA, através de suas contribuições ao CRS, ajudarão a fortalecer a sua capacidade de responder às muitas, e cambiantes necessidades da Igreja e dos povos na África. Podem também contribuir ao trabalho do CRS através de uma promoção pública eficaz e coordenada, em nome dos povos e das nações da África.
Dentre as muitas agências Católicas dos EUA que trabalham na África, menção especial precisa ser indicada pelas contribuições da "Holy Childhood Association, Propagation of the Faith, e a "U.S. Catholic Mission Association". Além disso, a "Catholic Near East Welfare Association" continua a fornecer assistência ao Egipto, Eritreia, e Etiópia. Ordens religiosas Católicas, congregações, e institutos, assim como programas de dioceses para o envio de padres dos Estados Unidos e o serviço aumentado fornecido pelos missionários leigos Católicos Americanos, todos contribuem para o testemunho da solidariedade com a Igreja na África. Os "U.S. Catholic Bishops' Migration and Refugee Services" fornecem assistência a refugiados africanos, que estão sendo re-localizados nos Estados Unidos. Paróquias Católicas abrem as suas portas para prover apoio espiritual, moral, e financeiro aos nossos irmãos e irmãs africanas. Sendo assim, os vínculos da solidariedade mútua são fortalecidos e a Igreja Católica dos EUA é enriquecida.

Os Católicos nos EUA podem ajudar a promover o desenvolvimento justo e equitativo, na África, de várias outras maneiras:

  • Oração. A oração sempre precisa ser o ponto de partida e fundação do nosso trabalho de solidariedade. Demasiado frequentemente deixamos de reconhecer o poder da oração e quão importante é que nossos irmãos e irmãs, em situações de grande dificuldade, saibam que realmente somos unidos com eles no Espírito.

  • Investimento Responsável. Fundos de pensão ou de outros investimentos podem ser usados para fortalecer a capacidade da África para lidar com seus problemas, ou, investidos erroneamente, podem servir de incentivo para conflitos e do sofrimento humano. [Veja a tabela 7: declaração da USCCB sobre investimentos responsáveis.]

  • Responsabilidade Empresarial. Os Católicos que administram empresas dos EUA e multinacionais têm uma responsabilidade especial no exercício das suas obrigações profissionais, particularmente quando as actividades das suas empresas possam exacerbar conflito, corrupção, abusos de direitos humanos, e degradação do meio ambiente na África. Devem jogar um papel central em ajudar a promover economias justas e prósperas na África.

  • Auto-educação e envolvimento na promoção pública. Os indivíduos e grupos dentro da Igreja Católica nos Estados Unidos estão activamente envolvidos com a Igreja na África, na promoção de direitos humanos, alívio da dívida, maior assistência para o desenvolvimento, desmobilização de crianças soldados, promoção da paz em regiões problemáticas, e protecção do meio ambiente. Alentamos as dioceses de ajudar os Católicos a se educar sobre a África e se comprometer à promoção da justiça, paz, e desenvolvimento através da promoção pública.

  • Geminação de dioceses e paróquias. Dioceses e paróquias têm considerado que a geminação com dioceses e paróquias na África, e em outras partes do mundo, são experiências enriquecedoras de comunhão com outros membros do Corpo de Cristo e uma maneira de aprofundar os laços de solidariedade com uma Igreja com necessidades. Estes projectos de geminação incluem programas de intercâmbio de membros da Igreja entre a África e os Estados Unidos, programas recíprocos de formação espiritual, concessões de assistência para o desenvolvimento, promoção pública, e outros intercâmbios. São incluídos também programas educacionais, oferecidos por escritórios de dioceses ou paróquias locais, para aumentar a conscientização sobre, e envolvimento com, a Igreja e os povos da África. Que estas iniciativas continuem a florescer, expandindo assim a solidariedade universal da Igreja.

Cada ano, as dioceses dos Estados Unidos são convidadas a dedicar atenção especial à Igreja e os povos da África. Orações, intenções durante a Missa, programas educacionais, e uma variedade de outras abordagens podem ser utilizadas para expressar esta solidariedade.

Conclusão

O Sínodo para África nos lembrou das riquezas surpreendentes das culturas africanas e das profundas contribuições que a Igreja africana realizou para a Igreja universal desde o início da sua história. Realmente nos enriquecemos mutuamente na missão quando nos comprometemos como irmãs e irmãos em Cristo, em quem encontramos as nossas verdadeiras riquezas e a nossa esperança duradoura. Os desafios críticos e o potencial enorme, confrontado pela África hoje, serve como oportunidade para -- e teste da -- nossa solidariedade mútua. Nossa resposta a esta vocação de solidariedade com a Igreja e os povos africanos nos possibilita expressar o amor "nas acções e na verdade" (1 Jn 3:18, itálicos acrescentados), um amor que não cria fronteiras e não estabelece limites para o que possa ser realizado juntos em Cristo.


Tabela 1
A Cristandade e a Igreja Católica na África

  • A África é a região de maior crescimento no mundo, com mais de 350 milhões de Cristãos.

  • A Igreja Católica na África tem mais de 116 milhões de membros.

  • Mais de 10.000 paróquias e 75.000 estações de missões estão localizadas na África.

  • Missionários Cristãos levaram a mensagem do Evangelho ao Egipto, Núbia (sul do Egipto e norte do Sudão), e a Etiópia na metade do primeiro século a.d.

  • A missão Cristã expandiu às regiões actuais de Angola, República Democrática do Congo, Zimbabué, Moçambique, áreas de influência portuguesa na África Ocidental, e Quénia do Século 15 ao Século 18 a.d.

  • A terceira fase da missão Cristã, desde o meio do Século 18 até a 2a. Guerra Mundial levou ao estabelecimento da Igreja na África Ocidental, África Oriental, África Central, e África do Sul. Entre os países evangelizados estavam Serra Leoa, Nigéria, Gana, Dahomy (Benim), África do Sul, Zimbabué, Malawi, Zâmbia, Uganda, Sudão, Tanzânia, Ruanda, e Burundi.

  • Desde o Segundo Concilio Vaticano, a Igreja na África se tornou indígena e africanizada, e está levando o Evangelho aos "finais do mundo" (Actas 1:8).

(Fontes: "Statistical Yearbook of the Church, 2000"; David B. Barrett, George T. Kurian, Todd M. Johnson, eds. World Christian Encyclopedia: A Comparative Survey of Churches and Religions in the Modern World, 2nd ed. [Oxford: Oxford University Press, 2001]; John Baur, 2000 years of Christianity in Africa: An African History, 62-1992 [Nairobi: Daughters of St. Paul, 1994]; John Paul II, Ecclesia in Africa)

Tabela 2
Organização Mundial da Saúde: "Report on HIV/AIDS, Tuberculosis, and Malaria" (Relatório sobre HIV/AIDS, Tuberculose e Malária).

  • Doenças Infecciosas -- incluindo HIV/AIDS, tuberculose, e malária -- são responsáveis por quase a metade das mortes em países em desenvolvimento. Estas três doenças causam mais de 300 milhões de enfermidades e 5 milhões de mortes cada ano.

  • Os mais atingidos por doenças são os mais pobres que não têm acesso à atenção à saúde, medicamentos, água potável, ou requerimentos nutricionais diários mínimos.

  • O impacto social e económico destas doenças é reflectido na perpetuação e aprofundamento da pobreza através da perda de trabalho, afastamento da escola, investimento financeiro reduzido, e maior instabilidade social.

  • Onde a taxa de infecção por HIV na população adulta é mais de 20 por cento, as economias africanas estão se enxugando a uma média de 1 por cento do PIB por ano. Este é o caso em Botsuana, África do Sul, Lesoto, Malawi, Zimbabué, Zâmbia, Quénia, e outros países.

    Custaria um estimado US$1 bilhão por ano para reverter muitos dos aspectos negativos da malária. A eliminação da malária aumentaria o PIB nos países Subsaararianos por até US$3-12 biliões por ano.

  • Se US$1 bilhão fosse gasto cada ano no tratamento da tuberculose, 70 por cento de todos os casos seriam tratados, resultando em uma redução de 50 por cento na mortalidade nos próximos cinco anos.

    (Fonte: Organização Mundial da Saúde, HIV, TB and Malaria --Three Major Infectious Diseases Threats, (HIV, TB, e Malária -- Três Principais Ameaças de Doenças) antecedentes para a discussão dos G-8 [Julho de 2000], no. 1).

Tabela 3
A Crucificação de um Cristão Nuba [Sudanês]

"No Mercado de Toroji, numa quinta-feira [forces governamentais de segurança] me acusaram de cooperar com os rebeldes do [Exército de Liberação do Povo Sudanês], mas não tinham provas mesmo depois de investigação. Durante a detenção, eles me torturaram de todas as maneiras. Me colocaram entre a vida e a morte. Depois da tortura, [as forças] de segurança decidiram que eu era inocente e me liberaram enquanto seguiam com maiores investigações. Chamaram-me de rebelde. Rejeitei esta palavra e disse que não sabia o que a palavra 'liberação' significava desde que nasci. Disse a eles que eu era Cristão, que sirvo a Igreja. Se vocês estão me torturando porque sou Cristão, certamente sou Cristão, e aceito o que estão fazendo. Disseram que isto não ia me prevenir de ser tratado como criminoso e começaram a praticar várias maneiras de me torturar. Me bateram, continuamente, por três horas, queimaram a minha mão com um ferro, cortaram meus dedos com alicate, e tentaram cortar a minha garganta.

"O oficial sénior de segurança estava presente e os ordenou que me crucificassem no sol, no tanque do exército. Me bateram e amarraram minhas pernas e mãos como numa cruz. Isto foi entre as 13:00 e 14:00 horas e o sol estava muito quente. O poder do mal e o Espírito de Deus começaram a lutar dentro de mim. O espírito mal disse, 'Você pode confessor com uma mentira e então será liberado. Mas, no final, me encorajei e lembrei a Santa Escritura, 'Se você me nega diante do povo, Eu te negarei na frente do meu Pai e seus anjos e ainda, 'Seja fiel até a morte e Eu te darei uma coroa de vida'. Fiquei ainda mais corajoso quando lembrei o incidente que aconteceu com Shadrack, Mishack e Abednego quando foram atirados ao fogo no Velho Testamento. Consegui ser fiel e derrotei Satanás pelo poder de Jesus Cristo".

(Fonte: "Testimony of Gabriel Tutu, Christian Evangelist", (Testemunho de Gabriel Tutu, Evangelista Cristão) em R. Werner, W. Anderson, e Andrew Wheeler, "Day of Devastation, Day of Contentment: The History of the Sudanese Church Across 2000 Years (Dia de Devastação, Dia de Contentamento: História da Igreja Sudanesa Através de 2000 Anos) [Nairobi, Paulines Publications Africa, 2000], 611-12).

Tabela 4
Minas Terrestres na África

  • Vinte e sete países na África Subsaariana são países que fazem parte do Tratado de Interdição de Minas, de 1997, e catorze outros são signatários.

  • Desde Março de 1999, minas anti-pessoais foram usadas em mais conflitos na África (oito) do que em qualquer outra região do mundo.

  • Vinte e seis países, incluindo a Somalilândia, na África Subsaariana, são afectados por minas: Angola, Burundi, Chade, Congo Brazzaville, Djibouti, República Democrática do Congo, Eritreia, Etiópia, Guiné-bissau, Quénia, Libéria, Malawi, Mauritânia, Moçambique, Namíbia, Níger, Ruanda, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Suazilândia, Tanzânia, Uganda, Zâmbia, e Zimbabué.

  • Em 1999, Quase US$40 milhões foram fornecidos por agências de financiamento dos EUA e da Europa a doze países na África Subsaariana, e à Somalilândia, para remoção de minas e actividades educacionais.

Tabela 5
Assistência para o Desenvolvimento dos EUA Classificada Entre as Mais Baixas como Percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) ente as Nações Desenvolvidas

(Fonte: "Testimony on 2002 Foreign Assistance on behalf of the United States Catholic Conference and Catholic Relief Services" (Testemunho sobre a Assistência Exterior, de 2002, da parte da Conferência Católica dos Estados Unidos e Serviços Católicos de Alívio [Março de 2001]. ODA se refere à Assistência Oficial para o Desenvolvimento.

Tabela 6
Pandemia de HIV/AIDS na África Subsaariana

"O drama da AIDS ameaça não somente alguns países ou sociedade, mas toda humanidade. Não conhece fronteiras geográficas, raça, idade, ou condição social . . . [a convocação] para um esforço supremo de cooperação internacional da parte do governo, da comunidade médica e científica mundial, e todos aqueles que exercem influência no desenvolvimento de uma responsabilidade moral na sociedade" (Papa João Paulo II, Visit to Tanzania, (Visita à Tanzânia, 1990).

  • HIV/AIDS é o assassino número um na África.

  • Mais de 25 milhões de adultos e crianças estão infectados com o vírus do HIV na África Subsaariana, constituindo mais de 70 por cento do total global de pessoas infectadas.

  • A taxa de infecção entre adultos na África Subsaariana está a cerca de 8,8 por cento. Dez e seis países, a maioria na África Oriental e no sul, têm taxas de infecção, por HIV, acima de 10 por cento, com a taxa, em Botswana, acima de 35 por cento. Uma estimativa de 17 milhões de africanos morreu como resultado da AIDS, incluindo 2,4 milhões de mortes em 2000.

  • É estimado que quase 13 milhões de "órfãos pela AIDS" enfrentam o risco de desnutrição, deslocamento social, perspectivas reduzidas para educação, e recrutamento forçado ao serviço militar ou em milícias armadas. É projectado que, até 2010, 18 milhões de crianças africanas serão órfãos pela AIDS.

  • NUAIDS projecta que a metade ou mais de todas as crianças de 15 anos eventualmente morrerão da AIDS na África Subsaariana.

  • Uma estimativa de 600.000 bebés africanos serão infectados pelo HIV cada ano através da transmissão mãe a filho, seja no parto ou através da amamentação.

  • As taxas de infecção em muitos exércitos africanos são extremamente altas. Acima de 40 por cento dos militares sul-africanos é infectado pelo vírus do HIV. As taxas de infecção nos sete exércitos actualmente envolvidos em conflito na República Democrática do Congo foram estimadas a se situar entre 50 a 80 por cento.

(Fontes: "UNAIDS, Report on the Global HIV/AIDS Epidemic" (NUAIDS, Relatório sobre a Epidemia Global de HIV/AIDS [Junho de 2000]; R. Copson, "Congressional Research Service Issue Brief for Congress, AIDS in África" (Síntese, pelo Serviço de Pesquisa do Congresso sobre Questões, para o Congresso, AIDS na África, [12 de Dezembro de 2000])

Tabela 7
Resumo da Declaração, pelos Bispos Católicos dos EUA, sobre Investimentos Responsáveis

"O comércio e as empresas financeiros dos Estados Unidos também podem ajudar a determinar a justiça ou injustiça da economia mundial. Nem todos são todo-poderosos, mas seu poder real é inquestionável. As empresas transnacionais e instituições financeiras podem realizar contribuições positivas ao desenvolvimento e solidariedade global. O Papa João Paulo II indicou, no entanto, que o desejo de maximizar os lucros e reduzir o custo dos recursos naturais e da mão-de-obra seduziu, frequentemente, estas empresas transnacionais a um comportamento que aumenta a iniquidade e reduz a estabilidade da ordem internacional. Estas empresas podem contribuir a superar o apuro desesperado de muitas pessoas em todo mundo pela colaboração com àqueles governos nacionais que tratam seus cidadãos de maneira justa e com agências inter-governamentais". (Extracto de "Economic Justice for All: Pastoral Letter on Catholic Social Teaching and the U.S. Economy", (Justiça Económica para Todos: Carta Pastoral sobre Ensino Social Católico e a Economia dos EUA) no. 116.

Princípios do Investimento Responsável:

  • Não prejudique: (a) recuse-se em investir em companhias cujos produtos e/ou políticas são contra os valores do ensino moral Católico; (b) despoja-se das companhias que não mantém estes valores.

  • Faça o certo: (a) procure e decide investir em companhias que promovem os valores da moral e do ensino social Católico; (b) procure investimentos alternativos, ou seja, investimentos que possam resultar em taxas mais baixas de retorno, mas que expressam o compromisso da Igreja aos pobres deste mundo.

  • Participação empresarial activa: exerça responsabilidades normais de accionista, especialmente realizando votos informados por procuração e resoluções de accionistas, para influenciar a cultura da empresa e para formar políticas e decisões empresariais. Esta é uma estratégia especialmente útil no caso de investimentos mistos.


(Fontes: "Socially Responsible Investment Guidelines", (Diretrizes para o Investimento Social Responsável) Origins 21:25 [28 de Novembro de 1991]; Conferência Nacional de Bispos Católicos, "Economic Justice for All: Pastoral Letter on Catholic Social Teaching and the U.S. Economy" (Justiça Económica para Todos: Carta Pastoral sobre o Ensino Social Católico e a Economia dos EUA).

Notas finais

  1. Cardeal Angelo Sodano, palestra proferida na Cúpula do Milénio das Nações Unidas (8 de Setembro de 2000).

  2. João Paulo II, The Church in Africa (Ecclesia in Africa) (Washington, D.C.: United States Catholic Conference, 1995), no. 57 (itálicos acrescentados).

  3. United States Catholic Conference, Called Called to Global Solidarity: International Challenges for U.S. Parishes (Washington, D.C.: United States Catholic Conference, 1997), 1.

  4. Ecclesia in Africa, no. 70.

  5. Ibid., no. 40.

  6. Veja "Statistical Yearbook of the Church, 2000" (Cidade do Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2000), 35.

  7. Ecclesia in Africa, no. 44.

  8. Cf. Ibid., no. 106.

  9. Bispos dos Camarões, "Of Goodwill on Corruption" (3 de Setembro de 2000), 3.

  10. Conferência dos Bispos Católicos da África do Sul, "Economic Justice in South Africa" (Pretoria: Conferência dos Bispos Católicos da África do Sul, 1999), 25.

  11. Cf. Conferência dos Bispos Católicos de Zimbabué, "Tolerance and Hope" (2001).

  12. Cf. João Paulo II, "On the Hundredth Anniversary of Rerum Novarum (Centesimus Annus)" (Washington, D.C.: Conferência Católica dos Estados Unidos, 1991), no. 31.

  13. Cf. Cardinal Jozef Tomko, "Address to the Plenary Assembly of SECAM" [Simpósio de Conferências Episcopais da África e Madagáscar] (Roma, e de Outubro de 2000).

  14. "Testimony on 2002 Foreign Assistance on behalf of the United States Catholic Conference and Catholic Relief Services" (Março de 2001).

  15. Paulo VI, "Address to UN Food and Agriculture Organization" (16 de Novembro de 1970).

  16. A iniciativa de "Heavily Indebted Poor Countries" (Países Pobres Altamente Endividados) foi iniciada em Setembro de 1996 pelo Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial para assistir países pobres sobrecarregados por serviços de dívidas inadministráveis. A iniciativa fornece fundos para redução da dívida e requerimentos para reformas de políticas estruturais e sociais. As economias da redução das dívidas devem ser utilizadas para financiar programas para redução da pobreza, especialmente em termos de saúde e educação.

  17. Comissão Administrativa, Conferência Católica dos Estados Unidos, "A Jubilee Call for Debt Forgiveness" (Washington, D.C.: Conferência Católica dos Estados Unidos, 1999).

  18. João Paulo II, "Letter to the Secretary General of the United Nations, Mr. Kofi Annan, at the Occasion of the U.N. General Assembly Special Assembly" (26 de Junho de 2001).

  19. Conferência nacional de Bispos Católicos, "Economic Justice for All: Pastoral Letter on Catholic Social Teaching and the U.S. Economy" (Washington, D.C.: Conferência Católica dos Estados Unidos, 1986).



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